Como funciona o CRIA
O CRIA é um jogo de texto em que você vive uma vida inteira no Brasil, um ano de cada vez. Não tem gráfico 3D, não precisa de internet e não tem anúncio: tem uma pessoa, um ano e uma escolha.
E tem uma pergunta, que é o jogo todo:
Até onde você chega, começando de onde você começou?
1. Você não escolhe onde nasce
A vida começa com um sorteio que você não controla. Região, estado, cidade, classe social, cor, estrutura da família — tudo cai de uma vez, na primeira tela, e o jogo mostra na sua cara o que saiu.
Esse sorteio não é aleatório no sentido preguiçoso da palavra. Ele sai de dados reais: a distribuição de estados segue a população do Censo, e a classe social que você recebe depende do tipo de lugar onde nasceu. Nascer no interior do Nordeste não dá a mesma mão que nascer num condomínio de São Paulo — e é essa diferença que o resto do jogo vai cobrar de você.
O que a origem faz é mudar a dificuldade, nunca o resultado. Quem nasce com dinheiro faz uma peneira mais fácil: a chuteira é melhor e o busão não come o dia. Mas vencer vale igual pra todo mundo. Se a origem mexesse nos dois lados, viraria sentença — e sentença não é jogo.
2. Um ano por vez
O botão principal é Envelhecer. Cada toque passa um ano: acontece alguma coisa com você, o dinheiro entra e sai, a saúde muda, as pessoas em volta envelhecem junto.
São mais de 500 acontecimentos escritos à mão, da primeira palavra ao enterro. O primeiro dia na creche, o apelido que pegou na escola, o dente mole, a prova que você não estudou, o 13º que caiu, a cheia que levou o muro, a consulta que você empurrou por três anos.
Dentro do ano você também age por conta própria: estudar, treinar, procurar emprego, falar com a sua mãe, sair, ir à igreja, fazer um bico. Isso custa fôlego — o ano tem um limite de quanto cabe, e quanto mais saúde você tem, mais cabe. Repetir a mesma coisa é o que cansa.
3. Certinho ou malandro
Toda escolha que importa tem as duas versões. É a regra mais antiga do jogo, e a que gera as histórias que as pessoas mandam print.
O caminho certinho
Estudar pro ENEM. Declarar o bico. Pagar a conta. Esperar na fila. Dá menos, demora mais, e quase nunca dá errado.
O jeitinho
Colar na prova. Não declarar. Dar um migué. Furar a fila com quem você conhece. Dá mais — e às vezes custa muito mais do que valeu.
A escolha malandra não é um botão livre: ela precisa de jeitinho, um medidor seu que sobe e desce com a vida que você leva. Quem não tem lábia não consegue nem tentar.
4. Os oito medidores
Cinco são os de sempre. Três são daqui.
| Saúde | Quanto o corpo aguenta. Chega a zero, a vida acaba. |
| Felicidade | O humor da sua vida — e o que te empurra pra decisão ruim quando está no chão. |
| Inteligência | Escola, concurso, faculdade, as provas da vida. |
| Beleza | Pesa no amor, na fama e em portas que ninguém admite que existem. |
| Carisma | Emprego, política, rede social. Quem fala bem passa na frente. |
| Grana | Em reais, e pode ficar negativa. Dois anos no vermelho e o seu nome vai pro Serasa, que tranca metade do que você queria fazer. |
| Jeitinho | Destrava a escolha malandra. Sobe com o corre, desce com o tombo. |
| Fé | Mexe na sorte. Não garante nada — mas nos anos ruins você sente falta. |
5. Escola, trampo e carreira
Escola pública ou particular, cursinho, faculdade, pós. Mais de 100 profissões, do caixa de mercado ao desembargador, cada uma com a sua exigência de estudo e de currículo.
Os caminhos que o Brasil tem de verdade
Concurso público, CLT, MEI, bico, negócio próprio. Bolsa Família e CadÚnico com as regras que valem na vida real: a família recebe se a criança estiver na escola, e largar os estudos pra trabalhar corta o benefício da casa toda. FGTS, 13º, aposentadoria — e cheque especial que vira bola de neve se você ignorar.
E os caminhos que são sonho
Dez esportes, cada um com a sua peneira: futebol, futsal, vôlei, basquete, MMA, judô, atletismo, surfe, vela e skate. Do kart à Fórmula 1, onde a pergunta de cada temporada é quem vai bancar. Música, novela, carnaval, reality, rede social. Carreira militar nas três forças. E política, da Câmara de vereadores ao Planalto, com campanha, debate na TV e uma aprovação que cai sozinha se você não fizer nada.
6. A família não é enfeite
Mãe, pai, avó, tio, tia, primo, padrasto, madrasta, filhos, netos. Eles têm dinheiro próprio e ajudam até onde o bolso deles dá — o tio empresta, a tia segura, o primo arruma a vaga.
Os filhos crescem e viram alguém, e o que eles viram depende de você: da sua classe, do seu estudo, do quanto você esteve presente. Dá pra fazer testamento, mas do jeito brasileiro: metade vai obrigatoriamente pros herdeiros e só a outra metade é sua pra decidir.
E quando você morre, a história continua. Você escolhe um filho e segue dali, com o que recebeu — ou com o que não recebeu.
7. O Boletim de Mobilidade
No fim de cada vida o jogo faz a conta que passou a vida inteira guardando: de onde você saiu e onde você chegou. Patrimônio, carreira, estudo, o que ficou pros seus.
E então ele diz a única coisa que interessa: você furou o teto, ficou onde nasceu, ou desceu?
Sair de baixo e chegar ao topo é a maior vitória do CRIA. É mais difícil do que ficar rico nascendo rico, e é de propósito.
8. Grátis, offline, e sem saber nada sobre você
O CRIA é de graça e não tem anúncio nenhum. Funciona sem internet, do começo ao fim. Nada do que você joga sai do seu aparelho: não existe conta, login, nem servidor pra onde mandar.
Quem quiser ajudar pode pagar um café pelo ícone no canto do topo. Quem não paga não perde nada — o jogo é o mesmo.
Veja também: o que mudou em cada atualização.